Paixão em família

Paulo de Souza Coelho, da quinta geração dos descendentes do Major Manuel José Lemos, é filho de Luiz de Souza Coelho e de Manoela Lemos de Souza Coelho.

Para eles, do avô ao bisneto, o vôlei é sagrado. Trata-se da família Zech Coelho, que se confunde com a história do esporte em Minas Gerais. Afinal de contas, são muitos os títulos, tanto no clube em que estão enraizados, o Minas Tênis, como em seleções, Mineira e Brasileira. Paulo, o patriarca; Sérgio Bruno, Luiz Eymard, Carlos Rogério, Helder, Eduardo, os filhos, frutos do casamento com Yara Drummond; Henrique, o bisneto e, agora, Luca, de apenas 3 anos, seu filho, todos, sem exceção, são personagens de uma história que, se depender de cada um deles, vai continuar por muitos anos dentro da quadra.

Tudo começou ainda em Campos Altos, terra do Seu Paulo, farmacêutico de profissão. Lá, num terreno ao lado de sua farmácia, construiu um pequeno campo, de terra batida. Jogava com amigos. Aos poucos a turma foi crescendo. Tornaram-se um time. Como não havia outra equipe na cidade, o jeito foi sair procurando adversários em outras cidades. Times de Uberlândia, Uberaba, Araxá, e quem mais viesse não eram páreo.

O segundo capítulo da história seria escrito aqui em Belo Horizonte, mais precisamente no Bairro Funcionários, onde foi morar depois de casar-se com dona Yara. A chegada dos filhos, nove no total – Paulo Marcos, Álvaro Rubens, Maria Ilse, Maria Simone não jogaram –, fez o patriarca voltar a atenção novamente para o vôlei. “Não havia muita diversão na cidade. Então, estiquei uma corda de uma árvore a outra, num canteiro da Avenida Brasil, aqui bem pertinho, para que eles jogassem. Era uma festa”, conta. Depois de algum tempo, ele comprou uma cota do Minas Tenis Clube. “Era um ótimo lugar para lazer e para os meninos se divertirem e fazer esporte.

Sérgio Bruno, o segundo filho do casal, foi o primeiro a se interessar. “Fui para a natação, mas levei uma bronca do técnico, o Cavalcanti, por ter pulado na piscina sem fazer aquecimento. Fiquei com raiva e saí aborrecido. Ao passar pelo Adolfo Guilherme, ele perguntou: ô magrelo, você não quer jogar vôlei?” Era o que faltava. Sérgio Bruno não pensou duas vezes. Foi para a quadra e tornou-se não só titular do Minas, mas também da Seleção Mineira e chegou à Seleção Brasileira. Enraizou-se tanto no clube que exerce, pela segunda vez, sua presidência.

Logo depois dele vem Luiz Eymard. Em pouco tempo, ele também chegaria à Seleção Brasileira. E daria um passo largo: disputou os Jogos Olímpicos de Munique’72, terminando como melhor atacante.

Logo chegariam também Carlos Rogério e Helder. Em 1976, Luiz Eymard foi para os Estados Unidos, junto com Bebeto de Freitas, como pioneiros. Morou e jogou em Los Angeles. Ficou lá e só voltou em 1981 para jogar no Atlético, o então arqui-rival do Minas. Lá, três irmãos se juntaram, pois Carlos Rogério e Helder estavam no Galo, junto com Pelé, Fernandão, Badalhoca, Aloísio, Cacau, Zé Roberto Guimarães, o técnico da Seleção feminina do Brasil. Jogando em família, foram tricampeões mineiros e bi do Metropolitano.

HISTÓRIA

Em 1983, o retorno para o Minas. Helder também chegaria a Seleção Brasileira, em 1987, mas acabou ficando de fora dos Jogos Olímpicos de Seul’88. “O Sohn era o técnico e houve o boicote, que acabou com a sua derrubada.” Mas ele iria fazer história de outra forma, comandando o Minas na conquista do tricampeonato brasileiro em 84/85/86. Esses três títulos mudaram a história no vôlei nacional. Surgiu a Liga Nacional.

Mas tinha mais gente para entrar na quadra. Chega a vez do caçula, Eduardo, que chegou à Seleção Mineira juvenil, mas depois trocou o vôlei de quadra pela areia. Fez sucesso, mas acabou abandonando. Hoje, é professor universitário de marketing.

Mas e as mulheres da família? Se não entraram em quadra, também não ficaram de fora. O destino reservou a maior conquista justamente ao filho de Simone, representante da terceira geração. Henrique Zech Coelho Von Randow foi campeão mundial em 2002 e também é bicampeão da Liga Mundial, em 2002/2003.

HERDEIROS

E é de Henrique, o primeiro representante da quarta geração dos Zech Coelho, Luca, seu filho do casamento com Úrsula. Aliás, o casal e o filho têm uma história curiosa, pois Henrique jogou dois anos na Itália e, na última temporada, estava no Unisul. “Desde que o Luca nasceu, ele não teve a família por perto. Éramos só eu, ele e a Úrsula. Mas agora, que voltamos pra BH, é uma paparicação só. Ele fica doido e não quer que as visitas saiam. Gosta da casa cheia.”

Henrique não é o único representante da terceira geração. Tem também o levantador Luizinho, filho de Luiz Eymard, que já defendeu o Minas, passou pelo Sada Betim, na última Superliga e agora está no Banespa. “Acho muito legal essa história da família. Somos apaixonados pelo vôlei, tudo isso, graças ao meu avô.”

Transcrito do Estado de Minas

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